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Dr. ViniciusCarreraOncologia Clínica
Ferramenta educativa

Calculadora de tempo de duplicação do PSA

Digite as datas e os valores das suas dosagens de PSA e veja em quantos meses o exame levaria para dobrar, no ritmo observado nessa série. O cálculo é feito dentro do seu navegador e nenhum valor sai do seu aparelho.

Escrito e revisado por Dr. Vinicius Carrera, médico oncologista · CRM 17.258 · RQE 8334 (Oncologia Clínica) · revisado em 27/07/2026.

Calcule o tempo de duplicação do PSA

Informe a data e o valor de cada dosagem, em qualquer ordem — as datas são ordenadas automaticamente. Informe todas as dosagens do período, inclusive as que caíram ou ficaram estáveis: o consenso que define este cálculo é explícito em que os valores não precisam subir de forma consecutiva e em que todos os do período devem entrar. Digitar apenas as dosagens que subiram produz um número que descreve a escolha dos valores, e não a doença.

Use o PSA total, como aparece no laudo. Vírgula ou ponto como separador decimal (exemplo: 0,42).

O formulário mantém duas linhas, que é o mínimo para haver um intervalo entre duas dosagens. Para trocar uma delas, edite a data ou o valor.

O cálculo acontece inteiramente dentro do seu navegador. As datas e os valores de PSA que você digita, e o número calculado a partir deles, não são enviados para este site, para o consultório nem para qualquer outro serviço. Nada é gravado: ao fechar ou recarregar a página, os valores desaparecem. O endereço da página também não guarda nada, justamente para que um resultado não possa ser compartilhado por acidente. O site contabiliza, em números agregados, que a calculadora foi usada e se o cálculo chegou a ser concluído — como conta as visitas às outras páginas, e sem nenhuma das datas, nenhum dos valores digitados e nenhum número calculado.

O tempo de duplicação do PSA é o número de meses que o exame levaria para dobrar de valor, mantido o ritmo de subida das dosagens informadas. Ele descreve a velocidade da subida, não o valor absoluto: ir de 0,3 para 0,6 ng/mL e ir de 3 para 6 ng/mL dão o mesmo tempo de duplicação, porque a conta mede a proporção em que o exame cresce por mês. Duas dosagens já permitem calcular; com três ou mais o resultado fica menos sensível a uma oscilação isolada.

Antes de confiar no número

Quando o valor de PSA não deve ser usado neste cálculo

Algumas situações elevam ou reduzem o PSA por motivos que não têm relação com o comportamento da doença. Uma dosagem colhida nessas condições distorce a conta sem que o resultado pareça estranho. Na dúvida sobre alguma delas, vale conferir as datas com o médico antes de usar o número. Duas situações que costumam preocupar sem necessidade: segundo a diretriz americana de detecção precoce (AUA), o toque retal e o ciclismo não alteram o PSA de forma apreciável, e a ejaculação eleva pouco, cerca de 10%. O último item da lista é de outra natureza: não trata de uma dosagem alterada, e sim de quais dosagens entram na conta.

  • Infecção urinária ou prostatite — a inflamação eleva o PSA e ele pode levar de seis a oito semanas para voltar ao valor de base.
  • Biópsia de próstata, cistoscopia, cateterismo vesical ou retenção urinária recentes — a manipulação da via urinária provoca elevação transitória.
  • Início, suspensão ou troca de finasterida ou dutasterida — esses medicamentos alteram o nível do PSA de forma variável de pessoa para pessoa, e a mudança se confunde com a da doença.
  • Início ou suspensão de bloqueio hormonal — o PSA acompanha a mudança do tratamento, não a evolução do tumor.
  • Testosterona em recuperação depois de parar o bloqueio hormonal — nessa fase o PSA sobe pela volta do hormônio.
  • Dosagens feitas em laboratórios diferentes ou por métodos de dosagem diferentes — os ensaios de PSA não são intercambiáveis, e a diferença de calibração pode ser lida pela conta como subida real.
  • Valores muito baixos, abaixo de 0,20 ng/mL — nessa faixa a imprecisão do exame é da ordem do próprio valor.
  • Coletas muito próximas, com poucos dias ou poucas semanas entre si — medem sobretudo a flutuação normal do exame.
  • Deixar de fora dosagens do período por elas não terem subido — o consenso do PSA Working Group (Journal of Urology, 2008) é explícito em que os valores não precisam subir de forma consecutiva e em que todas as dosagens do período devem entrar no cálculo. Uma série montada só com os valores que sobem produz um tempo de duplicação curto, com bom ajuste e sem nenhum aviso: a conta não tem como perceber o que ficou de fora.

O que é o tempo de duplicação do PSA

É uma forma de resumir a velocidade com que o PSA está subindo. Em vez de olhar só o último valor, a conta usa a série inteira e responde a uma pergunta: mantido esse ritmo, em quantos meses o exame dobraria? Um tempo de duplicação de seis meses descreve uma subida mais rápida do que um de trinta meses, qualquer que seja o patamar do PSA.

A vantagem sobre o valor isolado é que a velocidade não depende do nível. Um PSA de 0,4 ng/mL pode significar coisas muito diferentes conforme venha subindo há dois anos ou há dois meses, e é essa diferença que o tempo de duplicação captura. Por isso ele é a medida usada quando o PSA volta a subir depois do tratamento do câncer de próstata.

O método é o recomendado por consenso (PSA Working Group, Journal of Urology, 2008): ajusta-se uma reta ao logaritmo do PSA contra o tempo e divide-se ln(2) pela inclinação. É o mesmo método da calculadora do Memorial Sloan Kettering e o mesmo especificado nos protocolos dos grandes ensaios que usaram tempo de duplicação como critério de entrada.

O que o número significa em cada situação

Esta página não pergunta qual é o seu caso, e o mesmo número tem leituras diferentes conforme o cenário. O que segue é o enquadramento geral das diretrizes, no nível de população — não é a classificação de nenhum caso individual.

Depois da cirurgia de retirada da próstata, quando o PSA volta a subir, a diretriz europeia (EAU) usa o limite de doze meses ao separar recidivas de maior e de menor risco. Essa classificação tem duas metades, e esta página só conhece uma: a outra é o grau ISUP/Gleason do exame de patologia da cirurgia, que pesa igual — pelo critério europeu, ISUP 4 ou 5 já coloca a recidiva no grupo de maior risco independentemente da velocidade da subida.

Depois de radioterapia ou braquiterapia, a mesma diretriz não estratifica o risco pelo tempo de duplicação. Ela usa o intervalo entre o fim do tratamento e a falha bioquímica, com o limite de dezoito meses, junto com o grau ISUP. Transportar para cá o limite de doze meses da cirurgia seria extrapolar a diretriz. Durante bloqueio hormonal, sem metástase visível nos exames de imagem, um tempo de duplicação igual ou menor que dez meses foi o critério usado para selecionar participantes em três grandes ensaios internacionais — é um critério de estudo, não um prognóstico.

Em vigilância ativa, a diretriz europeia é explícita: a variação do PSA isoladamente, incluindo o tempo de duplicação, não deve modificar a conduta, podendo no máximo motivar investigação adicional. Em 290 homens acompanhados no Johns Hopkins, o tempo de duplicação não se associou aos achados da biópsia seguinte (p = 0,83), com capacidade de discriminação de 0,59, próxima do acaso (Ross, Journal of Clinical Oncology, 2010).

Antes de qualquer tratamento e antes de biópsia, a cinética do PSA foi avaliada e não agregou valor: uma revisão sistemática de 87 artigos não encontrou ganho além do que o próprio valor do PSA informa (Vickers, Journal of Clinical Oncology, 2009), e a diretriz americana de detecção precoce (AUA/SUO) recomenda com força não usar a velocidade do PSA como indicação isolada de biópsia, imagem ou biomarcador adicional.

Limites do que esta conta pode dizer

O PSA oscila por conta própria. Em 972 homens acompanhados por quatro anos, entre os que tinham PSA acima de 4 ng/mL, 44% apresentaram valor normal em uma coleta posterior, sem tratamento nenhum (Eastham, JAMA, 2003). A reprodutibilidade do exame em laboratório é excelente, ou seja, essa variação vem do organismo, não do equipamento — e ela entra em qualquer cálculo feito sobre poucas dosagens.

Quanto menos dosagens e quanto mais próximas no tempo, mais frágil é a estimativa. Duas coletas separadas por poucas semanas descrevem sobretudo a flutuação do exame; as mesmas duas coletas separadas por um ano descrevem principalmente a tendência. Em um estudo com 2.204 homens, calcular pela série inteira e calcular só com o primeiro e o último valor divergiram de forma relevante em cerca de um em cada cinco casos, e a divergência diminuiu quando o intervalo entre as coletas era maior (Connolly, European Urology, 2007).

Uma dosagem colhida em vigência de infecção, inflamação ou manipulação da via urinária distorce a conta, e o resultado continua com aparência de bom cálculo — a própria conta não denuncia o problema. É por isso que a lista de situações acima importa mais do que o número de casas decimais.

Por fim, o tempo de duplicação é uma variável entre várias. O grau do tumor na patologia, o intervalo entre o tratamento e a subida do PSA, o que mostram os exames de imagem, a idade e as outras condições de saúde pesam junto, e nada disso está nesta página. O número calculado aqui é insumo para a conversa com o médico assistente, não uma conclusão.

Perguntas Frequentes

Dúvidas Comuns

Referências

De onde vem o método deste cálculo

  1. Arlen PM, Bianco F, Dahut WL, et al.; Prostate Specific Antigen Working Group. Prostate specific antigen Working Group guidelines on prostate specific antigen doubling time. J Urol. 2008;179(6):2181-5. PMID 18423743.
  2. Pound CR, Partin AW, Eisenberger MA, Chan DW, Pearson JD, Walsh PC. Natural history of progression after PSA elevation following radical prostatectomy. JAMA. 1999;281(17):1591-7. PMID 10235151.
  3. Connolly D, Black A, Murray LJ, Napolitano G, Gavin A, Keane PF. Methods of calculating prostate-specific antigen velocity. Eur Urol. 2007;52(4):1044-50. PMID 17197071.
  4. Eastham JA, Riedel E, Scardino PT, et al. Variation of serum prostate-specific antigen levels: an evaluation of year-to-year fluctuations. JAMA. 2003;289(20):2695-700. PMID 12771116.
  5. Ross AE, Loeb S, Landis P, et al. Prostate-specific antigen kinetics during follow-up are an unreliable trigger for intervention in a prostate cancer surveillance program. J Clin Oncol. 2010;28(17):2810-6. PMID 20439642.
  6. Vickers AJ, Savage C, O'Brien MF, Lilja H. Systematic review of pretreatment prostate-specific antigen velocity and doubling time as predictors for prostate cancer. J Clin Oncol. 2009;27(3):398-403. PMID 19064972.
  7. European Association of Urology. Prostate Cancer Guidelines, atualização de 2026 — estratificação de risco da recidiva bioquímica (tempo de duplicação e grau ISUP após prostatectomia; intervalo até a falha bioquímica após radioterapia) e conduta em vigilância ativa.
  8. American Urological Association / Society of Urologic Oncology. Early Detection of Prostate Cancer Guideline, 2023 (emendada em 2026) — variabilidade do PSA, situações que alteram a dosagem e recomendação forte contra o uso da velocidade do PSA como indicação isolada de biópsia, imagem ou biomarcador.

Aviso importante

Esta calculadora aplica uma fórmula matemática às datas e aos valores digitados e devolve uma estimativa. É informação geral de saúde, com finalidade educativa.

Não foi revisada nem aprovada por agência reguladora e não se destina a uso como dispositivo médico. Não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento por um profissional de saúde, e não indica exames nem condutas.

As referências que dão contexto ao resultado vêm de estudos e diretrizes construídos sobre grupos de pacientes. Elas descrevem populações e podem não se aplicar a uma pessoa em particular, cujo quadro depende de informações que esta página não conhece.

O uso desta ferramenta não cria relação médico-paciente. Nada do que é digitado aqui é registrado, armazenado ou usado para contato.

Antes de qualquer decisão sobre exames, tratamento ou acompanhamento, converse com o seu médico assistente.

Dr. Vinicius Carrera · CRM 17.258 · RQE 8334 · Oncologia Clínica

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