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Dr. ViniciusCarreraOncologia Clínica
Guia Educativo

Radioterapia no Câncer de Pulmão
Como Funciona e Quantas Sessões

A mesma palavra descreve tratamentos muito diferentes entre si. Entenda qual é o objetivo no seu caso, como são as sessões e o que esperar depois.

CRM 17.258
RQE 8334
USP · Santa Casa
Hospital Aliança · Hospital Cardiopulmonar · Oncologia D'Or

A radioterapia usa radiação dirigida ao tumor, é indolor e não deixa você radioativo. No câncer de pulmão ela tem papéis distintos: a SBRT trata tumores iniciais em poucas sessões com intenção curativa quando não se opera; no estágio III é diária por cerca de seis semanas junto com quimioterapia; e poucas sessões aliviam dor, sangramento ou falta de ar.

Escrito e revisado por Dr. Vinicius Carrera, Oncologia ClínicaCRM 17.258 · RQE 8334

Acelerador linear em sala de radioterapia
O Que É

O Que a Radioterapia Faz e Por Que a Sessão Não Dói

A radioterapia trata o câncer com radiação ionizante, a mesma família de energia usada em uma radiografia de tórax, só que em energia e dose muito maiores e dirigida a um alvo definido de antemão. Essa radiação danifica o material genético das células dentro da área tratada. Células tumorais têm menos capacidade de reparar esse dano do que as células saudáveis, e é dessa diferença que nasce o efeito do tratamento: a cada sessão, o tumor acumula prejuízo enquanto o tecido normal ao redor consegue se recuperar melhor entre uma aplicação e outra. Por isso o tratamento costuma ser dividido em várias sessões em vez de entregue de uma vez.

O aparelho é o acelerador linear, um equipamento grande que gira em torno da maca. Nada entra no seu corpo, nada encosta em você e nada é injetado na maioria dos tratamentos de pulmão. Durante a aplicação você fica deitado, parado, e não sente absolutamente nada: nem dor, nem calor, nem formigamento. A experiência se parece mais com fazer uma tomografia do que com um procedimento. O que se ouve é o barulho do aparelho se movimentando e ligando o feixe, e é comum a pessoa terminar a primeira sessão surpresa de que já acabou.

Existe um medo que aparece em quase toda consulta e que precisa ser desfeito logo: você não fica radioativo. Na radioterapia externa, que é a usada na quase totalidade dos casos de câncer de pulmão, a radiação atravessa o corpo no momento da aplicação e não permanece nele. Terminada a sessão, você pode abraçar seus netos, dormir na mesma cama, dividir banheiro, talheres e roupa de cama sem qualquer risco para ninguém. Esse cuidado só existe em situações específicas em que uma fonte radioativa é colocada dentro do corpo ou administrada por via oral, o que é outro tipo de tratamento.

A precisão vem do planejamento, não da máquina isoladamente. Antes da primeira sessão, imagens do seu tórax são usadas para desenhar exatamente o volume que deve receber dose e os órgãos que precisam ser poupados: pulmão saudável, coração, esôfago, medula espinhal. O computador então distribui a dose em vários feixes que entram por ângulos diferentes e se cruzam no tumor. Cada feixe, sozinho, atravessa o tecido normal entregando pouca dose; a soma deles se concentra no alvo. É esse desenho que permite tratar uma lesão dentro do tórax sem irradiar o corpo inteiro.

  • Radiação dirigida — o feixe é direcionado a um volume desenhado no planejamento, não ao pulmão inteiro nem ao corpo todo
  • Sessão indolor — nada toca em você e não se sente nada durante a aplicação, que dura poucos minutos
  • Você não fica radioativo — na radioterapia externa a radiação não permanece no corpo, e não há restrição de contato com crianças, gestantes ou familiares
  • Fracionamento — dividir a dose em sessões dá ao tecido saudável tempo de se recuperar entre uma aplicação e outra
  • Órgãos poupados no planejamento — pulmão saudável, coração, esôfago e medula espinhal têm limites de dose definidos antes de o tratamento começar
Os Papéis

A Mesma Palavra, Objetivos Muito Diferentes

Boa parte da confusão sobre radioterapia no câncer de pulmão nasce de um detalhe de linguagem: a mesma palavra é usada para tratamentos que têm objetivos, durações e efeitos colaterais completamente distintos. Duas pessoas podem dizer que estão fazendo radioterapia de pulmão e estar em situações que não se parecem em nada, uma com cinco idas ao serviço e outra com trinta. Por isso a pergunta mais útil que você pode levar à consulta não é quanto tempo dura, e sim qual é a intenção do tratamento no seu caso.

Na doença inicial, quando o tumor é pequeno e não se espalhou, existe a radioterapia estereotáxica corporal, conhecida pela sigla SBRT. Ela entrega dose alta em um alvo pequeno e bem delimitado, em poucas sessões, e é conduzida com intenção curativa em quem não pode ou não quer operar. Na doença localmente avançada, o estágio III, a radioterapia entra combinada à quimioterapia, com sessões diárias ao longo de várias semanas, e frequentemente é seguida de imunoterapia. E há a radioterapia paliativa, dirigida a um sintoma específico, em geral resolvida em poucas aplicações.

Uma quarta situação merece menção porque assusta muito e tem tratamento próprio: quando o câncer de pulmão atinge o cérebro, a radiocirurgia trata lesões delimitadas em uma a poucas sessões, assunto detalhado no guia sobre metástase cerebral. O que interessa aqui é entender que dose, número de sessões, efeitos esperados e até o significado da palavra sucesso mudam conforme o cenário. Ler sobre um deles achando que se trata do seu pode gerar um susto que não corresponde à sua realidade.

  • SBRT no estágio inicial — dose alta e concentrada em poucas sessões, com intenção curativa, quando a cirurgia não é possível ou não é desejada
  • Quimiorradioterapia no estágio III — sessões diárias por várias semanas junto com quimioterapia, seguidas de imunoterapia de consolidação em parte dos casos
  • Radioterapia paliativa — poucas sessões dirigidas a um sintoma, como dor no osso, sangramento ou obstrução de via aérea
  • Radiocirurgia no cérebro — modalidade específica para metástases cerebrais delimitadas, tratada em guia próprio
  • A pergunta que organiza tudo — qual é a intenção do tratamento no meu caso: curativa, combinada ou de alívio de sintoma
Estágio Inicial

SBRT: Poucas Sessões com Intenção Curativa

A radioterapia estereotáxica corporal, ou SBRT, também chamada de SABR, mudou o que se pode oferecer a quem tem um tumor de pulmão pequeno, restrito e sem acometimento de linfonodos, mas que não reúne condições clínicas para uma cirurgia. Ela concentra uma dose muito alta em um volume pequeno, com margens estreitas e verificação por imagem a cada aplicação, e resolve o tratamento em poucas sessões — em geral menos de dez, com frequência em dias alternados. É feita em regime ambulatorial, sem corte, sem anestesia geral e sem internação.

Quem chega a essa indicação costuma ser alguém com função pulmonar reduzida por enfisema ou por anos de tabagismo, com doença cardíaca importante, com idade avançada e fragilidade, ou com outras condições que tornam o risco de uma ressecção pulmonar alto demais. Também entram nessa conversa pessoas que teriam condições de operar e, informadas das opções, preferem não passar por uma cirurgia. Nos casos em que operar é viável, a cirurgia segue sendo o tratamento padrão no estágio inicial, e a escolha entre as duas estratégias é discutida em conjunto por cirurgião torácico, radio-oncologista, pneumologista e oncologista clínico, considerando a sua reserva pulmonar, suas outras doenças e o que você prefere.

Há dois pontos práticos que valem ser conhecidos de antemão. O primeiro é que cada sessão de SBRT costuma demorar um pouco mais do que uma sessão convencional, porque o posicionamento é conferido com rigor e imagens de verificação são feitas antes de o feixe ser ligado; o tempo dentro da sala não significa que algo está errado. O segundo diz respeito ao acompanhamento: a área tratada quase sempre desenvolve alterações na tomografia nos meses seguintes, uma cicatriz que pode chamar atenção no laudo e ser confundida com doença em atividade. Distinguir uma coisa da outra exige comparar exames ao longo do tempo e, às vezes, lançar mão do PET-CT. Por isso o seguimento é programado e as imagens são lidas em sequência, não isoladamente.

  • Alvo pequeno e bem delimitado — indicada tipicamente em tumor inicial, sem acometimento de linfonodos, com localização favorável
  • Poucas sessões — em geral menos de dez aplicações, muitas vezes em dias alternados, sempre em regime ambulatorial
  • Sem corte e sem internação — não há anestesia geral nem recuperação cirúrgica, o que a torna viável em quem não suportaria uma ressecção
  • Tumores centrais exigem cuidado — lesões próximas às vias aéreas centrais e a grandes vasos têm esquemas e precauções próprias
  • Sessão um pouco mais longa — o tempo extra é de posicionamento e de imagens de verificação, parte da precisão do método
  • Alterações na tomografia depois — a cicatriz no local tratado é esperada e precisa ser comparada com exames anteriores antes de ser interpretada
  • Decisão multidisciplinar — cirurgião torácico, radio-oncologista, pneumologista e oncologista clínico avaliam juntos quem opera e quem irradia
Avaliação Especializada

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Estágio III

Quimiorradioterapia: o Tratamento Diário de Várias Semanas

O estágio III reúne os casos em que a doença cresceu localmente ou alcançou linfonodos do mediastino, o centro do tórax, mas ainda não se espalhou para órgãos distantes. É um território intermediário e bastante heterogêneo, em que a definição da estratégia depende de estadiamento cuidadoso e de discussão multidisciplinar. Parte dos pacientes tem doença ressecável e segue um caminho que inclui cirurgia. Quando a doença é considerada irressecável, o tratamento padrão combina quimioterapia e radioterapia administradas ao mesmo tempo, e é conduzido com intenção curativa — o que não é o mesmo que garantia de cura, e sim o objetivo com que o plano é montado.

Na prática, isso significa comparecer ao serviço de radioterapia todos os dias úteis, ao longo de cerca de seis semanas, com pausa nos fins de semana que faz parte do esquema e não é interrupção do tratamento. A quimioterapia administrada nesse período segue esquemas próprios da combinação: em alguns deles as doses são menores e distribuídas semanalmente, em outros são as mesmas usadas quando a quimioterapia é o tratamento principal. Em qualquer um deles ela tem duas funções: tornar as células tumorais mais sensíveis à radiação e agir sobre o restante do corpo. Fazer as duas coisas simultaneamente traz resultado melhor do que fazê-las em sequência, ao custo de mais efeitos colaterais no período, sobretudo esofagite. Em quem não tem condição clínica de tolerar a combinação, o tratamento pode ser feito de forma sequencial ou apenas com radioterapia, e essa é uma decisão individualizada.

Terminada a quimiorradioterapia, existe uma etapa que muita gente desconhece e que ampliou as opções de tratamento no estágio III irressecável: a imunoterapia de consolidação. Quando não há sinal de progressão nas imagens de reavaliação, o tratamento segue com um medicamento que atua sobre o sistema imunológico, o durvalumabe, mantido por cerca de um ano. Não é um tratamento a mais por precaução: é uma etapa planejada desde o início, e vale perguntar ao seu oncologista se ela está prevista no seu caso e como será o intervalo entre o fim da radioterapia e o começo dela. Há uma exceção que precisa ser dita, porque muda o plano inteiro: quando o tumor tem uma alteração molecular acionável, como a mutação do EGFR, a estratégia depois da quimiorradioterapia segue outra lógica, orientada por essa alteração e não pela imunoterapia. É mais um motivo para o painel molecular estar pronto antes de o plano ser fechado.

  • Estágio III — doença que avançou localmente ou atingiu linfonodos do mediastino, sem metástase a distância
  • Cerca de seis semanas — sessões nos dias úteis, com pausa programada nos fins de semana
  • Quimioterapia concomitante — em esquemas próprios da combinação, para sensibilizar o tumor à radiação e tratar o restante do corpo
  • Concomitante em vez de sequencial — o tratamento simultâneo traz melhor resultado, com mais efeitos colaterais no período
  • Imunoterapia de consolidação — o durvalumabe é mantido por cerca de um ano quando não há progressão após a quimiorradioterapia na doença irressecável e não há alteração molecular acionável, situação em que a estratégia é outra
  • Ressecável ou irressecável — essa definição, feita em discussão multidisciplinar após o estadiamento, é o que separa os caminhos
  • Suporte durante o tratamento — controle da dor para engolir, apoio nutricional e manejo do cansaço fazem parte do plano, não são extras
Alívio de Sintoma

Radioterapia Paliativa: Resolver um Problema Específico

Radioterapia paliativa é a radioterapia dirigida a um sintoma. O objetivo não é eliminar a doença, e sim tirar do caminho um problema concreto que está atrapalhando a vida da pessoa naquele momento. A palavra paliativa costuma provocar reação de susto e ser lida como sinal de que não há mais o que fazer, o que não corresponde ao que ela significa aqui: muita gente faz radioterapia paliativa enquanto segue em tratamento sistêmico ativo, com o resto do plano em andamento normalmente.

As situações mais frequentes são bem definidas. A dor causada por metástase em osso responde bem à radiação, e o alívio costuma aparecer ao longo de alguns dias a duas ou três semanas; nos primeiros dias, uma minoria das pessoas nota piora temporária da dor antes da melhora, algo esperado e que deve ser comunicado à equipe para ajuste da analgesia. O sangramento pelo tumor, que se manifesta como sangue no escarro, pode ser controlado com radioterapia. E um tumor que obstrui uma via aérea, causando falta de ar, chiado ou pneumonias de repetição, também pode ser tratado com essa finalidade. Em geral tudo isso é resolvido em poucas sessões, às vezes em uma única aplicação, justamente para não tomar o tempo de quem está buscando alívio.

Há cenários em que a radioterapia é acionada com urgência, e vale conhecê-los. Dor nas costas acompanhada de fraqueza nas pernas, dormência progressiva ou perda do controle da urina e das fezes pode indicar compressão da medula espinhal e não admite espera. Inchaço de rosto, pescoço e braços com veias saltadas no tórax pode indicar compressão da veia cava superior. Escarro com sangue em grande quantidade, falta de ar que aparece de repente ou piora rápido, febre e dor torácica intensa também são situações de pronto-socorro. Em qualquer uma delas, procure atendimento de imediato e avise a equipe que acompanha você; não espere a próxima consulta para relatar.

  • Dor por metástase óssea — o alívio costuma aparecer em alguns dias a poucas semanas, e a analgesia é mantida enquanto isso
  • Piora temporária da dor no início — acontece em uma minoria e é esperada; relate à equipe para ajustar a medicação
  • Sangramento — escarro com sangue proveniente do tumor pode ser controlado com radioterapia dirigida
  • Obstrução de via aérea — tumor que fecha um brônquio e causa falta de ar ou pneumonia de repetição pode ser tratado com essa finalidade
  • Poucas sessões — frequentemente uma única aplicação ou um curso curto, para que o alívio não custe semanas de deslocamento
  • Compressão da medula espinhal — dor nas costas com fraqueza nas pernas, dormência ou perda do controle de urina e fezes exige pronto-socorro imediato
  • Continua junto com o resto do tratamento — a radioterapia paliativa não substitui nem encerra o tratamento sistêmico em andamento
Na Prática

Da Tomografia de Simulação à Última Sessão

A primeira ida ao serviço de radioterapia não é tratamento, e essa informação evita muita frustração. Ela se chama simulação: você deita na posição exata em que ficará todos os dias, em geral de barriga para cima e com os braços acima da cabeça, apoiado em um dispositivo de imobilização feito para que essa posição se repita igual a cada sessão. Nesse momento é feita uma tomografia de planejamento e a pele recebe marcações, muitas vezes pequenos pontos de tatuagem permanentes do tamanho de uma pinta. Essas marcas são as referências de alinhamento do aparelho e não devem ser apagadas ou refeitas por conta própria.

Como o pulmão se move a cada respiração, alguns serviços acrescentam recursos para lidar com esse movimento: uma tomografia que mapeia o deslocamento do tumor ao longo do ciclo respiratório, o tratamento sincronizado com determinada fase da respiração ou a técnica de prender o ar em inspiração profunda durante os segundos em que o feixe está ligado, o que afasta o coração da área irradiada. Se algo assim for proposto, você será treinado antes. Entre a simulação e a primeira sessão costumam se passar alguns dias, e essa espera não é fila parada: é o tempo em que o plano é desenhado, calculado e conferido pela equipe.

As sessões seguem sempre o mesmo roteiro. Você chega, troca de roupa, deita na mesma posição, e a equipe alinha as marcas com precisão. Antes de ligar o feixe, imagens de verificação confirmam que o alvo está onde deve estar. Nesse momento os técnicos saem da sala, e é comum sentir um aperto ao ficar sozinho ali: saiba que você é observado por câmera e ouvido o tempo todo por interfone, e que basta falar ou levantar a mão para que tudo seja interrompido. O tempo de feixe ligado é de poucos minutos; o tempo total no serviço é maior por causa do posicionamento e da conferência. Faltar a uma sessão não coloca o tratamento a perder, mas a equipe precisa saber para reprogramar, então avise sempre.

Vale falar de logística e de acesso, porque isso pesa na vida real. O tratamento diário exige comparecer ao serviço em todos os dias úteis por semanas, o que é bem diferente para quem mora perto e para quem vem do interior da Bahia. A radioterapia está disponível no SUS e é procedimento de cobertura obrigatória nos planos de saúde, mas a distribuição de serviços é desigual entre as regiões e nem toda unidade oferece todas as técnicas, especialmente as estereotáxicas. A legislação brasileira estabelece prazo para o início do primeiro tratamento no SUS após o diagnóstico confirmado por laudo, e existem programas de apoio a deslocamento e hospedagem para quem precisa se tratar fora do município. Estas são informações gerais sobre acesso e cobertura, não orientação jurídica; casos concretos devem ser levados ao serviço social do hospital, à ouvidoria ou a um advogado.

  • Simulação — primeira ida ao serviço, sem tratamento: posicionamento, imobilização, tomografia de planejamento e marcações na pele
  • Marcações e tatuagens — são as referências de alinhamento; não as apague nem as refaça por conta própria
  • Controle da respiração — mapeamento do movimento respiratório, sincronização com o ciclo ou inspiração sustentada, conforme o recurso disponível no serviço
  • Dias entre a simulação e a primeira sessão — é o tempo de desenhar, calcular e conferir o plano, não uma demora sem motivo
  • Verificação por imagem — feita antes de ligar o feixe, para confirmar que o alvo está na posição planejada
  • Você não fica sozinho de fato — a equipe observa por câmera e ouve por interfone durante toda a aplicação
  • Sessão perdida — avise a equipe para reprogramar, em vez de simplesmente faltar na sequência
  • Deslocamento — quem vem de longe deve dizer isso na consulta e perguntar ao serviço social sobre apoio a transporte e hospedagem
Efeitos Colaterais

O Que Esperar Durante e Depois, Sem Rodeios

Os efeitos colaterais da radioterapia aparecem sobretudo na região tratada, e sua intensidade depende do volume irradiado, da dose, de a quimioterapia estar sendo feita ao mesmo tempo e das condições do seu pulmão antes de começar. O cansaço é a queixa mais comum e mais universal, costuma se instalar a partir da segunda ou terceira semana, tem caráter acumulativo e pode persistir por algumas semanas depois da última sessão. Não é preguiça nem sinal de piora da doença: é resposta esperada do organismo. Manter alguma atividade física leve, dentro da sua tolerância, costuma ajudar mais do que repouso absoluto.

O esôfago, o tubo que leva o alimento da boca ao estômago, passa bem no meio da região tratada e é o responsável pelo efeito colateral que mais incomoda no tratamento diário do estágio III. A esofagite actínica aparece tipicamente no meio do tratamento e se manifesta como dor ou queimação ao engolir, sensação de comida parando no peito e perda de apetite por medo de comer. É transitória e melhora nas semanas seguintes ao fim das sessões, mas precisa ser tratada enquanto dura, com ajuste da consistência dos alimentos, evitando bebidas muito quentes, ácidas e alcoólicas, e com medicações para dor e proteção prescritas pela equipe. Não aguente calado: perder peso e reduzir a ingestão de líquidos nessa fase tem consequências que vão além do desconforto.

A pele da área irradiada pode ficar avermelhada, ressecada e coçar, em geral de forma mais discreta do que muita gente espera para o tórax. Banho com água morna, sabonete suave, roupas leves, sem esfregar a região, sem sol direto e usando apenas os produtos liberados pelo serviço resolve a maior parte dos casos. E existe um efeito que aparece tarde e que precisa estar no seu radar e no da sua família: a pneumonite actínica, uma inflamação do pulmão dentro da área tratada que surge de algumas semanas a alguns meses após o fim da radioterapia. Ela se manifesta com tosse seca, falta de ar aos esforços e febre baixa, e é facilmente confundida com pneumonia comum ou com piora da doença. Tem tratamento, em geral com corticoide, e quanto antes for reconhecida, melhor tende a ser a evolução. Avise a equipe diante desses sintomas e diga a qualquer médico que atender você nos meses seguintes que fez radioterapia no tórax e quando terminou.

Uma preocupação recorrente merece resposta direta: fazer radioterapia não significa queimar o pulmão inteiro. O planejamento moderno define limites de dose para o pulmão saudável, para o coração e para o esôfago antes de o tratamento começar, distribui a entrada da radiação em vários ângulos e confere o posicionamento por imagem a cada sessão, de modo que apenas parte do tecido pulmonar recebe dose relevante. Isso não quer dizer que o risco seja zero, e seria desonesto afirmar isso: pessoas com função pulmonar já muito comprometida, com volumes maiores a serem tratados ou em uso simultâneo de outros tratamentos merecem avaliação cuidadosa. É exatamente esse cálculo que a equipe de radioterapia faz antes de aprovar o plano, e é uma pergunta legítima para levar à consulta.

  • Cansaço — surge por volta da segunda ou terceira semana, é acumulativo e pode durar algumas semanas após a última sessão
  • Esofagite — dor ou queimação ao engolir no meio do tratamento, transitória, com melhora nas semanas seguintes ao término
  • Cuidado com a alimentação — alimentos macios e mornos, evitando ácidos, muito quentes e álcool, com medicação prescrita para a dor
  • Reação de pele — vermelhidão, ressecamento e coceira na área tratada, tratados com higiene suave, sem sol e com os produtos liberados pelo serviço
  • Pneumonite actínica — tosse seca, falta de ar e febre baixa de semanas a meses depois; avise a equipe, porque existe tratamento
  • Conte a todo médico que atender você — informar que fez radioterapia no tórax e quando terminou evita confusão com pneumonia comum
  • Fibrose tardia — a cicatriz no tecido irradiado aparece na tomografia e costuma não causar sintomas
  • Procure o pronto-socorro — falta de ar que aparece de repente ou piora rápido, febre, dor torácica intensa ou escarro com sangue em grande quantidade
Perguntas Frequentes

Dúvidas Comuns

Sobre o Especialista

Dr. Vinicius Carrera

Dr. Vinicius Carrera, oncologista clínico em Salvador-BA
Meu propósito de vida é ajudar o próximo. Por isso escolhi a medicina!

Dr. Vinicius Carrera

Oncologia Clínica

CRM 17.258RQE 8334

Sou médico oncologista, com foco no acompanhamento e tratamento de pacientes com tumores urológicos e câncer de pulmão. Ao longo da minha trajetória, acumulei experiência em ensino médico e desenvolvimento de projetos de pesquisa clínica e translacional.

Ao longo de mais de uma década de atuação, tive o privilégio de acompanhar avanços significativos no tratamento do câncer que melhoraram a qualidade de vida e a sobrevida dos pacientes.

Formação Acadêmica

1999–2004
Graduação em MedicinaUniversidade Federal da Bahia
2005–2007
Residência em Clínica MédicaSanta Casa de São Paulo
2007–2009
Residência em Oncologia ClínicaICESP — Universidade de São Paulo (USP)
2021–2025
Doutorado em Medicina e Ciências da SaúdePontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)

Onde Atendo

Hospital AliançaHospital CardiopulmonarOncologia D'Or

Conteúdo educativo. Não substitui a avaliação de um médico e não estabelece relação médico-paciente. Tratamentos, doses e indicações dependem de avaliação individual e de prescrição médica.

Dr. Vinicius Carrera
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